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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Da chuva



Ainda bem que ela voltou, gotas de inicio para se alastrarem em bagas largas espessadas nas poças turvas de um caminho que lhe parece ver pela primeira vez. De outros Invernos apaga-lhe a memória tanta água fria como a deste dia, só hoje a vê como se debutante fosse e a surpresa exalta-lhe os sentidos mas magoa os olhos muito abertos.

A chuva regressou para lhe lavar as lágrimas escondidas na garganta à mistura com uma saliva que fez dele um reflexo condicionado pelo gosto e pela partida. Ele não volta e ela sabe-o tão bem como sabe que a chuva cai para baixo. Ou em cima dela. Ou por dentro dela. Ou a lavá-la de lamas e areias que na enxurrada arrastam pedaços de coração e não têm como escoar amontoando-se num dique que veda estanque até toda a água se evaporar e restar seco.

Da chuva embaciam-lhe as imagens e deturpa a realidade, não crê, no engano atira-se contra cortinas de água que deformam a ida e mistifica nos outros e nas coisas aquele que se foi num dia de sol.

12 comentários:

papagueno disse...

Muita chuva e muita lágrimas para lavar.
Bjks

gasolina disse...

Papageuno,

É verdade.

Mas chorar significa que se sente.
E a chuva fertiliza e mata a sede da terra.

Beijinhos, óptimo fds.

pin gente disse...

que dia triste ele escolheu para se ir...

Eärwen Tulcakelumë disse...

A chuva, a lágrima lavam a terra e alma. Felizes aqueles que ainda podem chorar!

Pérolas incandescentes de carinho amigo.

Eärwen

Moonlight disse...

Esses lábios encostados ao vidro sopram suspiros de saudade e desenham certezas da vida.

Beijo enorme

santiago disse...

quando a chuva secar

e,

mais outra vez


a terra estalar,

morrem os fetos.

ficam os afectos?

gasolina disse...

Pin,

Todos os dias são tristes quando alguém se vai...

Um beijo

gasolina disse...

Eärwen,

Como tens razão!
Há muitos que esqueceram o sal das lágrimas. Sejam de felicidade seja de dor sentida e verdadeira.

Um beijo, Senhora do Fogo

gasolina disse...

Moonlight,

Who knows?

Eu amo a chuva e adoro encostar-me aos vidros gotejados, esborrachar com a ponta do dedo essas lágrimas de chuva, quase bebê-las na ponta dos lábios... E garanto-te que não sinto tristeza alguma nesses momentos.

Um beijo grande, grande

gasolina disse...

Santiago,

Os fetos são das p lantas mais resistentes que existem nos bosques, nas florestas. Mesmo quando a terra seca e eles parecem queimados, basta uma gota de água para se desembrulharem.

Mas os afectos... uns ficam na memória outros no coração e outros secam-se de vez pois estereis são.

Um beijo.
Adorei a analogia.

Aspásia disse...

CHUVA TÃO NECESSÁRIA A TODAS AS ÁRVORES!

CHUVA DE LÁGRIMAS QUE PODE SER FERTILIZANTE DE NOVAS PALAVRAS A DESABROCHAR NA TUA ÁRVORE...

BEIJINHO SEM SOMBRINHA :)...

gasolina disse...

ASPÁSIA,

ASSIM O ESPERO.
QUE A CHUVA NUNCA ME FALTE E A ÁRVORE NUNCA SEQUE.

E SE ENCONTRAR AFLITA, CHAMO-TE, POIS NÃO ÉS TUA JARDINEIRA?!

BEIJOS DE SOL