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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Está quase




Está quase...
E o desejo é tanto que até tenho medo.




domingo, 25 de novembro de 2018

À espera da árvore



Vou dizendo para mim que quando chegar o dia de estar junto à árvore vou ter tempo para contar tudo, uma jornada tamanha há-de fazer-se palavras e nesse dia, o tempo será a medida do meu contar, os séculos da viagem serão folhas a encher para um abrigo da memória, uma copa larga que me acolherá. Talvez feche os olhos no esforço de lembrar tudo, ou mantenha fixo num horizonte a lamber feridas que não saram. E conto.

Por agora, vou dizendo que não tenho tempo, engano-me no adiar das visitas, porque de tanto ter para dizer não o digo. As palavras vão-se murmurando em silêncios, faço ponto final onde não devia terminar, tento esquecer para o dia em que diga que vou ter tempo, e o receio desse momento a aproximar-se paraliza-me a mão, o saber contar, hesito memórias. Para quando chegar o tempo de contar.

Digo-me que quando chegar o tempo talvez não haja tempo de contar tudo.
As folhas serão de Outono, amarelentas e queimadas, um sopro de vento a esconder palavras ou a fazer chão pisado, eu mesma a desconhecer o que plantei sento-me, cansada da viagem e deixo a árvore apenas ser uma árvore.



sexta-feira, 13 de julho de 2018

(Ainda sem ) Paz





deixei de falar sobre estórias, livros, palavras que falam de palavras mágicas, bailarinas, coisa de palco, lançar os olhos no brilho do que não vejo vendo apontando no bico do sapato ou na ponta da caneta, deixei secar a tinta permanente na última carga e não gastei um cêntimo mais a comprar outras, sento-me no lado do cimento dos prédios e deixo o rio ser água, sem cor, sem manto, sem estrada, levo-me e regresso sem suspiro e sem lembrança, apago luzes que teimam de quando em vez fundirem páginas de clarões onde corro a azul e letras maíusculas se encavalitam falando de generosidade, liberdade, uma invenção que desconheço, não sei que dizer, não percebo o que dizem, não comento sentimentalidades que possam trair a voz ou devolverem perguntas sobre o que sinto ou sei, ou tenha sido ou perigosamente, tenha sentido ou até feito, não fiz nada e do sentir deixei-me, nem para estórias acordo, caio para dentro de mim e não sei porque não acho, porque não sei o que procuro.