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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Crónicas do Tejo (XI)



Chuto a noite que ainda agasalha nos ruídos húmidos que empapam vultos. Espera-se o raiar incendiado a meio da água temperada a estradas feitas no memorizar de tanto ir e vir.


Tenho uma corda invisível que não me deixa perder o meu lado, o meu norte no Sul, a vontade de saber de onde sou, onde pertenço, a quem me prometi nessas escarpas verdes abruptas de um rei de cimento que parece ter voltado a intenção da guarda nas palmas que alisam o Tejo.


As minhas estão calejadas de tanto me segurar no regresso à margem que me engole.


Mais que um lado, uma caverna, uma gruta secreta que luxuriantemente reflecte as imagens do outro mundo. A culpa é do Rio, mania de ser espelho, mas na verdade só dá o que ele quer.


(in Crónicas do Tejo, C.G.-25/01/2008)

4 comentários:

Aspásia disse...

ADIVINHO UM REGRESSO ATRIBULADO, UMA TRAVESSIA NORTE-SUL DO RIO, ALGO TEMPRESTUOSA, A PONTO DE SER NECESSÃRIO SEGURARES-TE, ASSIM CALEJANDO AS MÃOS!

O REI DE CIMENTO COM AS PALMAS ALISANDO O TEJO... GOSTEI DA IMAGEM!

BEIJO DE NORTADA :)

Victor disse...

Querida Gasolina
Quando atravessas o Tejo desenhas nele sulcos de poesia, da mais bela poesia...
Tenho a certeza que o Tejo também te ama intensamente...
Beijinhos.

gasolina disse...

ASPÁSIA,

POR MAIS ATRIBULADO QUE O REGRESSO SEJA, É SEMPRE A VOLTA À MINHA MARGEM, AO MEU LADO QUE EU AMO.

E O TEJO FAZ ESQUECER QUELQUER AGRURA DO DIA.

BEIJOS JARDINEIRA!

gasolina disse...

VIctor,

As tuas palavras são sempre elegantes. São também elas um rio de poesia.

Mas não restam dúvidas do encanto e feitiço que o Tejo me oferece.

Um beijo grande Querido Victor