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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Do homem

Nas horas do homem o raciocinio lógico adopta-me. Penso que estarei na proporção da dor que me fazes sentir intimamente ligado ao valor da tua atenção.
Sentes prazer pois, em magoar-me, em saber que és a senhora da situação, controlas a minha vida, desdenhas da minha dependência. Eu sei-o, mas apenas nos momentos em que a besta dorme saciada do sangue que cheirou, encolhida a um canto à espera das tuas ordens, pronta para o ataque se assim te apetecer.
Nos momentos de homem rio-me desse animal, troço de mim, prometo-me dignidade e acho-me indiferente aos encantos da tua luz e dos teus aromas a rosas molhadas, espero o tempo a passar como ajuda para te esquecer e fazer valer o que sei não hei-de cumprir.
Tristemente lúcido.







(in Quarto do crescente, Junho/2008)

5 comentários:

tiaselma.com disse...

Esperar o tempo passar como ajuda para esquecer é o mais eficaz e o mais amargo dos remédios... Graças ao tempo.

Beijocas, que também aqui já vai tarde.

Teresa Durães disse...

Sentir prazer em magoar... e a revolta contra tal?

Acontece-nos e nós deixamo-nos arrastar sem razão

isabel mendes ferreira disse...

da lucidez que doi e nos "desola".


encanto-me por aqui num dizer que é verbo intenso.

poetaeusou . . . disse...

*
a lucidez
da indiferença . . .
,
maresias da tardinha, envio,
,
*

meditador disse...

Lindo, mesmo a cheirar a saudade. E eu que vim de um clima tropical para o interior de Portugal