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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Chuva de Junho

Chove, água de Junho, vem fresca à terra enrugada aliviar-me as saudades até ao tempo certo dela, tempo demasiado para voltar a senti-la molhar-me na cara a bonomia infante, os sons dos avisos, foge das poças, as lágrimas dos esfolões no joelho mal sarado da última queda.
Fico aqui. Muito parada a olhar o tecto do quarto enquanto as pingas cantam no metal do varandim e engrossam estaladas nas folhas das árvores ajoujadas de flores. Se não me mexer a chuva não vai embora. Nem o guarda-chuva vermelho que servía de equilibrio ou como medida da fundura dos lagos ovalados no passeio incerto. Fico aqui e afundo-me nas mãos junto ao peito a ouvir-me perguntar se me irei lembrar da chuva quando for grande. E porque me lembro e gosto (mais) ainda sou pequenina, ainda não sinto saudades.

16 comentários:

Teresa Durães disse...

gosto da chuva quando estou em casa. de resto... não

Laura disse...

E eu ia pequenina brincar à chuva. Ainda brinco, assim como tu, metida em 4 paredes, com 40 anos e com 4 anos...

Inês disse...

Não tenho o que comentar do seu texto tão forte e verdadeiro. Só queria dizer que sou admiradora das suas palavras.
Amém.

tiaselma.com disse...

Sempre que olharmos a vida com olhos líricos, nossa criança estará lá. E suportaremos todos os esfolões. E a saudade virá doce como a romã madura que, ao pé da árvore, comíamos, a bicicleta deitada na grama...

Beijocas de Tia Selma.

Teresa Queiroz disse...

:)

beleza na chuva de Junho :) parabéns , não é para todos...;)

teresa

Gasolina disse...

Teresa,

Eu gosto de chuva sempre. Especialmente apanhar uma daquelas valentes molhas. Ou assistir a uma trovoada em pleno mar.

Mas também gosto de sol, claro que sim.

Gasolina disse...

Laura,

Isso mesmo.
A chuva desta madrugada chamou-me: eu apareci, garota, a perguntar-me se gostava de chuva.

Tu sabes.

Gasolina disse...

Inês,

Muito obrigado.
Mas fico um pouco constrangida por tanto elogio para tão pouco...

Muito obrigado.

Gasolina disse...

Tia Selma,

Bela tela!

As romãs em Portugal aparecem no Inverno, perto de Novembro, sumarentas pelo Natal.

Que lembrança me trouxeste!

Gasolina disse...

Teresa Queiroz,

Obrigado.
Vindo de quem tem palavras e palavras (Ena!)que grande responsabilidade para esta Árvore.

:~D

Vicktor disse...

Querida Gasolina

Mataria minha sede eterna se bebesse uma gota a escorrer na tua pele.

Beijinhos.

Gasolina disse...

Vicktor,

Como sempre o teu carinho é enorme.

Obrigado pelo verso.

Um beijo para ti, meu Amigo

marisa disse...

Belo!

Eu gosto do cheiro da terra depois de uma grande chuvada. E também não me importo de andar à chuva.

Beijo molhado para a gasolina pequenina

marisa

Gasolina disse...

Marisa,

É um gosto apanhar a chuva, sentir todos os aromas que se desprendem, sentimo-nos tão perto de uma força maior chamada Terra.


Um beijo de Tejo para ti, que abraço

jardinsdeLaura disse...

Gasolina,

Qualifico esta sua prosa de altamente... poética!!!
E daqui alerto todas as "almas" sensíveis para o perigo de um enorme e forte contágio!!!

Gasolina disse...

Jardins de Laura,

Olá, benvinda a esta Árvore.

Muito obrigado por tão doce elogio.
Mas um pouco além do que realmente escrevi.

Espero que o contágio se faça, porque não?