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sábado, 2 de maio de 2009

Bagagem

Faço de conta que te sentas comigo. Podes tomar o que quiseres. Conquanto que me olhes o bastante para não te esqueceres de mim quando te fores embora e quando os anos passarem sem nos voltarmos a encontrar.

Vem o empregado, faço de conta que não queres nada, que te chega o eu estar aqui e que tudo o que te alimenta neste instante são as palavras que sabemos não poder dizer, essas são sempre as que se guardam porque as sabemos mas não queremos violar os seus segredos.

Quero que leves também o ruído, as cores e os cheiros, as velhas senhoras do chá das cinco, os homens sós atrás dos jornais e a luz. Aquela luz filtrada que se estica como um tapete quando abrem a porta e entram, entram sempre, também devem trazer alguém para fazer de conta e acompanhá-los.


A partir de agora não faço mais de conta, não vou voltar a lembrar-me de ti.


Hei-de aqui vir mais dias, sento-me aqui onde agora estamos. Talvez escreva. Mas não te hei-de inventar em linhas nem farei descrições sobre como és ou começarei os parágrafos por este dia em que te peço para me recordares para sempre.


Talvez escreva... Ou não.
.
.
(in Eu na Versailles, escritos improváveis, C.G.-Novembro/2005)

6 comentários:

Teresa Queiroz disse...

ou não.....

acabamos por escrever sempre :)

gostei

Vicktor disse...

Querida Gasolina

Que texto tão belo...
Lágrimas porque um dia, uma bela mulher que dançava em pontas e cursava em Belas Artes (porque razão quando penso nela, é a tua imagem que vislumbro?) acenou-me e mandou-me um beijo. Separava-nos o autocarro em que eu seguia... nunca mais a voltei a encontrar.

Beijinho.

Gasolina disse...

Teresa Queiroz,

Olá!

Nem sempre se escreve.
Naquele tempo era preciso fazê-lo para exorcizar os fantasmas da saudade.

Obrigado por teres vindo à Árvore.

Gasolina disse...

VicKtor,

Há pessoas que atravessam a nossa vida em corrida.
Não sei explicar porquê nem porque as notamos.
Mas fica sempre o som dos passos a afastarem-se.

Um beijo a ti.

Mateso disse...

Será? e as pegadas?
Também ficam seja aqui, ali, ou no lá.
bj.

Gasolina disse...

Mateso,

As pegadas ficam. Mas podemos sempre dizer que podem não ser do caminho até nós.

Beijo Mateso Azul