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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O papel quimico



O papel quimico teve os seus tempos de glória. Agora, poucos se lembrarão destas folhinhas que manchavam os dedos num das faces e quando agitadas emitíam um som em tudo semelhante à prata de um chocolate, descartada depois de nos lambuzarmos na iguaría.


A função do papel quimico é, por decalque, a transferência de um original para uma outra folha, ou seja, copiar. Esta propriedade de criar cópia, cópias era activada através do carbono, uma fina película que preenchía a tal face do papel que esborratava as mãos e que depois de pressionada, riscada, batida, transmitía para uma outra área o desenho original.


Claro, que como todas as cópias, o transferido nunca era lá grande coisa, imperfeito, algumas ausências na continuidade do desenho ou do texto por falha do tal carbono ou até mesmo da agilidade da mão que procedía à duplicação de um original e tão ciente estava o seu autor da sua má qualidade, que a cópia produzida ou cópias arrematadas eram sempre para arquivo e nunca para exibição à luz do dia.


Embora em desuso, ainda se encontram por aí alguns exemplares desta técnica.


E obviamente que tal como dantes, nunca passarão de cópias, falhos de uma originalidade que de todo comprometerão algum dia o poder da criatividade, pois verdadeiro é só mesmo um.

10 comentários:

Dias disse...

Conheci-os no Totobola, utilizei-os nos experimntalismos da Antonio Arroio, na semana de campo da recruta, e hoje não fosses tu, e estariam um nivel mais baixo na gaveta das minhas recordações.

Nota - Sempre que possivel, prefira o original.

Beijo imenso deste seu imenso admirador no original.

M. disse...

Lembranças Gas! Era eu pequenita quando descobri as virtudes do "papier charbon" que o meu pai usava para guardar uma cópia das cartas que escrevia, não me lembro de pc's ou fotocopiadoras, pelo que o carbono foi uma mais-valia. E um dia roubei uma folha. Tinha e ainda tenho um belíssimo livro ilustrado da época azul e rosa de Pablo Picasso que tratei de plagiar dando depois uns retoques de sombras com lápis a carvão. Exibia orgulhosamente os desenhos e todos fingiam que acreditavam.
Ainda hoje vislumbro no livro estas linhas "carbonizadas". Tão divertido.
Ironicamente nem com isso aqui a "mestra" aprendeu a desenhar..

Beijo

gasolina disse...

Dias,

Do que me foi lembrar! Do totobola!
E eu que preciso tanto do Euromilhões para fazer umas coisitas...

Nota: Uma verdade incontornável! As cópias nunca deixarão de ser isso mesmo, um copiado.

Beijo imenso desta sua,

gasolina disse...

M,

Volta e meia gosto de recordar este tipo de coisas.
Mas confesso que desta vez a idéia não foi inocente... foi apenas um exorcismo a umas copietas reles que saltitam por aí.

Que engraçado o que contas! Eu tb. fz algumas experiências com o papier charbon, mas era mais analisar sobre a capacidade de decalque: empilhava várias folhas brancas entremeando o quimico e depois pressionando a caneta em vários riscos contava quantas delas tinham sido decalcadas.
Lembro-me que fiquei um pouco desanimada com o resultado...

Ora, mas saíste Mestra noutras coisas! Na de escrever, ponho o meu pescoço por ti!

Beijo!

M. disse...

"Mas confesso que desta vez a idéia não foi inocente... foi apenas um exorcismo a umas copietas reles que saltitam por aí."

Confesso que me passou o mesmo pela cabeça :)
Não tenho é a certeza se falamos do mesmo.

Bisous

Aspásia disse...

NÃO SE PÔE EM DÚVIDA AS VIRTUDES DO PAPEL QUÍMICO, POIS NO TEMPO EM QUE SURGIU, PARA COPIAR ALGO, TERIA DE SER "À UNHA" OU POR ALGUM MONGE COPISTA... FOSSE COM O FIM DE FICAR COM PROVAS DE UM DOCUMENTO OU DE DIVULGAR TEXTOS...

MEU PAI AINDA O USOU BASTANTE NA SUA MÁQUINA DE ESCREVER... AINDA HÁ POUCO TEMPO DEITEI FORA ALGUMAS FOLHAS...

QTO AOS COPISTAS LAICOS ACTUAIS, SÓ COMPROVAM COM ISSO A SUA FALTA DE IMAGINAÇÃO...

BEIJOCA ORIGINAL :)

Mateso disse...

Usei-o muitas vezes na feitura de testes, foi seguido pelo stencil a alcool e depois... a era moderna. Já sou mesmo de memórias... Ainda bem! Sou mais rica!
Beijinho

gasolina disse...

M,

E passou-te bem.
E acho que falamos do mesmo, sim.

Bisous pour toi, ma chére.

gasolina disse...

ASPÁSIA,

EMBORA VOTADO AO ESQUECIMENTO NINGUÉM LHE TIRA O VALOR QUE TEVE. MAS OS AVANÇOS NÃO SE COMPADECEM, COMO BEM SABES.

E EU TB. NÃO ME COMPADEÇO COM OS "COPISTAS LAICOS ACTUAIS", TAL COMO TU.
MAS JÁ TÊM O QUE MERECEM.

BEIJOS ORIGINAIS PARA A JARDINEIRA

gasolina disse...

Mateso,

E feliz fico por as partilhares, distribuíndo desta forma generosa a riqueza das tuas lembranças.

Um beijo.