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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Gente vulgar

O que ficou por olhar, tocar, murmurar foi afinal o mais raro.
As palavras que foram ditas e os sorrisos que delas se acenderam foram a coisa comum e directa da vida numa relação de causa-efeito. Ruelas numa via principal. Sem nome. Que a pardacidade da gente vulgar encolhe a vontade do risco, arrepia caminho às adivinhas, prefere o recuo malandro ao desbravar, exonera-se no destino e volta para tráz seguindo o caminho das pedras.
O que ficou por sentir tem o encanto sebastiânico e cesarino do que podería ter sido, a memória do que não chegou a restar, areia presa entre mãos que tão pouco têm estas poder e arte para segurar o coração ou cercear o voo do querer.
Sempre entenderão o mundo como dia e noite, quatro estações, nascer, respirar e partir.
O que ficou por dar e mostrar foram os sonhos, jardins de poesia que despontam frescos mas perfumados de venenos que viciam.





C.G., Set/2007

10 comentários:

Arabica disse...

Muitas vezes o que fica por dar,
transforma-se na poesia
que rasga o papel da dor.

Que rasga de forma surrealista
e paradoxalmente, dando-lhe vida,
o tudo que ficou por dar.

Ganha nova forma.

E despende-se de nós.


Beijos, bom fim de semana.

poetaeusou . . . disse...

*
É . . .
Poemas são muralhas que
escondem . . . a realidade !
,
serenas brisas, deixo,
,
*

Teresa Durães disse...

realmente o que não veio trás-nos o mistério e o aguardar como tão bem dizes: sebastiânico

tiaselma.com disse...

Nossas mãos podem até ajudar no voo do querer, mas jamais conseguirão tomar o lugar das asas. Destino.

Beijocas de um inverno que por cá quer incomodar.

marisa disse...

Há sempre tanto e mais para dizer... mas poucos o conseguem fazer como tu. Este pedaço de poesia diz
(quase) tudo.
Um sorriso amigo
marisa

Gasolina disse...

Arabica,

O que fica por conhecer acaba por ser o mais apetitoso e o mais apetecido.
Talvez, porque resida no que se anseia. Não forçosamente no que é.


Beijo.
Óptimo fim de semana

Gasolina disse...

Poetaeusou,

Se não existisse a poesia o mundo sería (mais) feio.


BEI/de MARÉ

Gasolina disse...

Teresa,

É do homem a necessidade do esperar. Mas fazê-lo em sonhos do belo.

Gasolina disse...

Selma,


Verdade.
Mas sempre há-de haver poetas que querem voar. Felizmente. Só assim dão o condão de aos outros poderem olhar mãos como pássaros.


Beijo.
Por aqui, tudo misturado, 4 estações que lutam

Gasolina disse...

Marisa,

Generosidade tua, Pézinhos!

Encontro em tantas palavras alheias aquilo que me falta dizer!

Obrigado.


Um beijo do Tejo para o Reno