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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Entrançando

Ao fim de pouco mais de três anos voltou a entrançar o cabelo. Uma trança grossa, com todas as recordações que o cabelo comprido e a cabeça rapada lhe trazíam. Dois extremos de uma só. Duas metades de uma moeda como imagem de marca. Nada de meios termos, coisas ao de leve. Ou sim ou não, ou branco ou negro. Num infindável colorido.
Mas entrançar o cabelo teve a mística de recuar. De avivar tempos em que amigos, amores e inimigos estavam, em que o tempo parecía maior para cuidar de todos eles.
E o que lhe parecía é que o tempo que passara havía sido sempre melhor do que o presente. Embora na verdade não o tivesse sido, ou pelo menos fora tão mau e tão bom quanto o que agora lhe corría.
Talvez por isso tenha entrançado o cabelo, entrançado o tempo entre mãos na vã ilusão de que há poder bastante para se ser a mão sobre o mundo e o destino uma palavra inventada por um poeta.

12 comentários:

tiaselma.com disse...

Inspiradíssima Gasolina!

O movimento de entrançar os cabelos é a mística da própria Vida, não? As três mechas- passado, presente e futuro- cruzam-se, amalgamam-se, serpenteiam como veias bailarinas, desenham caminhos... E,por vezes, dão nó.

Beijocas, querida.

triliti star disse...

talvez por isso ou, tão somente porque num disco de 78 rotações, muito antigo e que a avó ainda tinha por acaso em bom estado, ela tivesse ouvido a canção da menina das tranças pretas que vendia violetas.

marisa disse...

De novo uma metáfora fantástica...entrançar o tempo... Como gosto das tuas palavras e do que elas "embrulham"!
beijo de quem anda mais silenciosa, mas não arreda pé, ai isso não!

poetaeusou . . . disse...

*
a dualidade, que nós somos . . .
ou
a procura da hermética concha,
a protecção com a qual podemos
imitar o “mexilhão”, entre o
péssimo e o péssimo, na passividade
vivificante . . .
,
brisas serenas, envio,
,
*

Flipmora disse...

O destino é entrançado pelo tempo... Branco, negro e cinzento. Melhor e pior. O poeta somou as partes.

Gasolina disse...

Tia Selma,

Estou siderada. E transparente. Leitura imaculada.

Não digo mais, estragaría o teu comentário.


Um beijo numa noite de Verão

Gasolina disse...

Tri,

Sabes que gosto mesmo desse fado?

E nunca o ouvi num disco de 78...

Beijo

Gasolina disse...

Marisa,

Os teus pézinhos sempre deixam marcas junto à árvore.

Não sería fantástico se podemos unir num feixe os três tempos?

:~D

Beijo Querida Marisa

Gasolina disse...

Poetaeusou,


Dualidades, dicotomias, controversos sentidos que acabem por confluir.


Fico feliz do teu mar aqui.

BEI/de MARÉ

Gasolina disse...

Flipmora,

Olá.

(Quase) de acordo. O poeta adoçou as partes. Daí o cinza. Reformulo: o prata.


Bem vindo a esta Árvore, fica bem.

Vicktor disse...

Querida Gasolina

Neste entrançar do cabelo que o é da vida também quantas vezes nos parece que ficarão entrançados para sempre... e quão falso isso é...
O cabelo é maleavel e nossas mãos ágeis para podermos sempre fazer de novo uma trança.

Beijinhos.

Gasolina disse...

Vicktor,

Daí o fascinio.

O recomeçar, o crescer e esquecer o que de mau ficou para trás.


Um beijo meu Amigo