Todos os textos são originais e propriedade exclusiva do autor, Gasolina (C.G.) in Árvore das Palavras. Não são permitidas cópias ou transcrições no todo ou/e em partes do seu conteúdo ou outras menções sem expressa autorização do proprietário.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Crónicas do Tejo (XVIII)

Faço-te Rio de memória. De olhos abertos, de olhos cerrados, tanto faz desde que te pense e siga as linhas em SS alongados.

Escrevo-te de lembrar, hoje não te passei, fiquei a mastigar a chuva que me trouxe mais perto de ti o cheiro, os barcos, o ruido chocalhado da neblina que aparta duas margens, o sono em pé pelas noites da manhã e as horas (tantas, são tantas) de lobos vadios que me arrastam nas presas e me largam mulher.

Por vezes faço-te ilha, eu à tua volta, prendo-te entre braços para te sentir molhar-me de emoções que não se falam. Eu não conto, faço de conta que sei do que falo, mas tu sabes bem que entre nós ajuramentámos coisas que mais ninguém entende. Só batem cá dentro, no peito, fluido do coração.

Enquanto tocar este som vivo-te. Existo.




(in Crónicas do Tejo, C.G. 29/12/2008, última)

14 comentários:

Teresa Durães disse...

as palavras sem som percebidas, os braços dos amantes

pin gente disse...

eu não falo
engulo as palavras
como sapos
vivas
em sangue
o mesmo sangue que entra e sai do coração
tu não sabes nada!
vomitas palavras para o vento
que as traga
como se de alimento se tratasse
que importa se o meu coração bate?
que importa se as minhas palavras gotejam do quente e rubro líquido?
gota a gota o meu corpo vai-se perdendo, sem gritos. esses, ecoam longe de mim. no horizonte onde um dia chegaste. na linha onde o sol já não se põe.



beijo grande
feliz 2009
cheio de frutos das árvores... cheio das tuas palavras.
luísa

Miguel Barroso disse...

Gostei bastante.




Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

Arabica disse...

Que o rio te cresça entre os dedos, te embale e se perpetue, lobo e cordeiro, manhã da noite, em ti ilha, de ti margem!

Um bom ano novo para ti!

Abraço

Victor disse...

Querida Gasolina
Sempre me encanta este teu relacionamento tão sentido, tão sensual, com o amado Tejo.
Beijinhos.


[adorava que passasses o ano com uma flor da Oficina no teu cabelo]

Gasolina disse...

Teresa,

O silêncio encantado.

Gasolina disse...

Pin,

Mais um belissimo encadear de palavras.

Mas o tejo escuta-me, escuta-me sempre e só me dá sorrisos.

Um óptimo Ano para ti, para os teus projectos, com o teu verbar para quem te lê.

Um beijo grande L.

Gasolina disse...

Miguel,

Olá!

Obrigado pela apreciação positiva.

Abraço assimétrico como convém, Bom Ano.

Gasolina disse...

Arábica,

Fortes palavras como o teu sabor.

Assim o espero. Assim espero que aqui continues a aromatizar a Árvore.

Tudo de bom para o 2009.

Abraço, fica bem.

Gasolina disse...

Victor,

Meu Querido Amigo, o sentir fica, a crónica foi a última.
Há coisas que de tão singulares e boas as devemos recatar. Chegou esse momento às Crónicas do Tejo depois de 4 anos a (d)escrevê-las...

Usarei sim, a tua flor no meu cabelo. Será a minha jóia ao romper do novo ano.

Um beijo, com tudo de bom que tanto mereces.

JC disse...

É bom passearmos à beira rio, mutas vezes partilhamos com ele os nossos assuntos, e colhemos dele conselhos que mais tarde aplicaremos.
Beijinhos

Gasolina disse...

JC,

Este Tejo é um amante.
Não se tratam de simples passeios, olhar a água como liquido.

É preciso vivê-lo, atravessá-lo, vibrar com as suas cores pela manha, pelo tombar do dia e sentir a alma inundar-se do belo pela sua grandiosa simplicidade.

Um beijo

ASPÁSIA disse...

ÚLTIMA CRÓNICA DAS QUE ENVIASTE AO RIO QUE TAS INSPIROU... NESTA, INVERTEM-SE OS PAPÉIS, ELE TORNA-SE NA ILHA E TU É QUE O ENVOLVES!
É ASSIM QUE SE ENTENDE O AMOR, NA ALTERNÂNCIA DE PAPÉIS!
UM DIA ELE DÁ-TE COLO, OUTRO TENS DE SER TU A DAR-LHO, POIS RIO TAMBÉM SENTE AS MARÉS ALTAS E BAIXAS!


UM BEIJO AO NÍVEL DO TEJO!

Gasolina disse...

ASPÁSIA,

ESTAVA NA ALTURA. FOI MUITO TEMPO O TEJO A EMBALAR-ME, EU A CANTÁ-LO.

E É SEMPRE PREFERÍVEL FECHAR O CAPÍTULO AINDA COM SUMO...

OUTRAS CRÓNICAS VIRÃO, NÃO DO TEJO, MAS DE OUTROS.

UM BEIJO DESTA MARGEM PARA A TUA.
(E O TEJO NOS FAZ PERTO)