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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O espírito do Ano Novo

A mesa posta de dias atrás com migalhas de vésperas e doces dentados de colheradas mal servidas, debaixo de um prato uma nódoa de vinho espreita, o arranjo de azevinho já seco do principio de Dezembro com bagas que foram vermelhas, agora reboladas na toalha bordada com motivos natalícios.

É quase meia-noite do último dia deste ano velho.

É quase hora de estrearmos as nossas promessas, rompermos as meias usadas do passado, bater os tachos, soprar em gaitas de plástico compradas numa rifa, usar rente à pele aquele tom azul que habitualmente detestamos.

Já preparámos a cadeira mais alta para aí pularmos embora repetidas vezes o aviso às crianças tenha sido feito que o perigo espreita se subirem.

Aquecemos na palma da mão umas passas de uva meladas de tanto açúcar e que devem ser mastigadas uma a uma a cada badalada das 12 do fim deste dia. Nessa dúzia uma será e apenas uma, a jura de finalmente começarmos aquela dieta fantástica sem hidratos de carbono nem glucose e que o amontoado de pregas e bóias magicamente desaparecerá logo no primeiríssimo de Janeiro.

Uma outra será para a compreensão com os outros: os outros são sempre uma tribo indefinida e servem para tudo. Basta prometermo-nos que não nos exaltaremos. Que não vale a pena que a vida é tão curta... a propósito, o chefe vai ver quando eu voltar do que serei capaz! Nunca mais me acusará de ser reactivo! Eu dou-lhe a reactividade...

As outras passas de uva serão engolidas de uma vezada que o relógio anda rápido e nunca se consegue comer a preceito e tomar o gole de champagne que faz gases mas que é da tradição e ainda galgar para cima da cadeira, estreitar nos braços os nossos queridos que fazem as mesmas figuras que nós.

Num ápice vão os pensamentos para a saúde, para o amor e para o dinheiro, claro.

E num pulo se chega à janela atirando sem escrúpulos ecológicos coisas e barulho, que o tempo é de festa e este é que é o espírito!

Comemorar a vida, o Recomeço, a Alegria de cá termos chegado!

Amanhã já é hoje, que o velho já se foi e entramos de mergulho nesta espiral do tempo chamando-o de Ano Novo.

Amanhã! Amanhã, cansados e remelosos da festança do reveillon não nos recordaremos das promessas nem do espírito que nos animou nas últimas horas.

Voltaremos a aconchegar-nos ao sono e tudo será como dantes.

10 comentários:

nice disse...

adoro-te!!! Feliz Ano Novo!!

impulsos disse...

Mais um dos teus textos fabulosos e tão diferentes do habitual que se vê por aí.
Tens uma forma única de dizer as coisas mais simples e que todos entendemos tão bem!

Adoro a tua forma de escrever e que assim nos continues a brindar enquanto puderes e quiseres.

Um Feliz 2008!

Beijo

PS. Muito obrigada pela força e pela coragem que me ofereceste um dia destes.Lá irei resistindo conforme puder...

poetaeusou . . . disse...

*
um vendaval de saúde,
em tempestade
de amizade e carinho,
num mar sereno,
de vagas de benquerenças,
transportadas
no bico de uma gaivota,
<<<<>>>>
aloés de beijos,
desta nazaré, hoje,
linda !!! linda !!! linda !!!
,,,
poetaeusou . . .
*

santiago disse...

que tenhas neste ano tudo de bom.

Charlie disse...

...e do esplendor da passagem de Ano restam os silêncios dos confetis inúteis no meio do pó e papelinhos.
Somos feitos desse nada que transforma o foguete em cinzas, no entanto voamos.
Beijinho e bom ano, seja lá o que isso queira na verdade dizer.

Carlos
http://cartassemvalor.blogspot.com/

gasolina disse...

Nice,

Também eu te adoro, Menina Linda!

2008 Soberbo para a matilha!

gasolina disse...

Impulsos,

Chegas e ofereces essas tuas palavras tão belas. Muito obrigado.

Que o teu 2008 seja único!

PS.: Ouve-te a ti. O resto são ruídos.

gasolina disse...

PoetaEuSou,

Que uma enorme vaga de felicidade banhe a tua praia. Carinho, saúde e amizade encontras nas conchas do mar.

Feliz 2008!

BEI/De MARÉ

gasolina disse...

Santiago,

Os meus votos para ti são iguais.

gasolina disse...

Charlie,

Palavras acertadas as tuas.
Que o novo ano augure outros ainda melhores.

Beso para ti.