Às vezes tinha dias de riso. Daqueles que disparam por tudo e por nada, em que o nada era o mote e o tudo era a gargalhada colectiva. Meias frases eram o saca-rolhas que fazía saltar uma mente endiabrada e muito bem lubrificada pela progressão explosiva com que desenvolvía o motor de uma qualquer história arranjada à pressão, os outros uma achega, um fertilizante que impedía que o ponto final arrasasse o trabalho do aparelho vocal e da extensão e compressão das paredes abdominais. Nesses dias havía sempre sol. Era amarelo. E vía-se, redondo, como se costumava desenhar quando ainda se vestía bibe. Por todo o dia ría e mesmo inquirido sobre a graça achava graça à questão, encontrava-se mais sagaz nestes dias, apurado com soluções para problemas que se assemelhavam apenas e tão só a complicações. Depois os dias de riso começaram a rarear, ou não podía ou não devía ou não se lembrava ou não tinha vontade. Às vezes tinha dias que tentava rir como nos dias de riso mas não lhes achava piada nenhuma ou até se considerava um tolo. O sol ainda aparecía mas agora escaldava-o e até o amarelo o encandeava. Um dia parou de todo com o riso. Nem sol, nem soluções, nem facilidades nem amarelos. Só um grupo de homens velhos que o rodeava, cotovelada aqui, piscar de olho no outro, uma tosse incontrolável pelos cochichos trocados de como ele os fazía rir e sentirem-se felizes.
CAPÍTULO QUARENTA - DE VOLTA A CASA
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Ao fim de pouco mais de três meses Alberto fechou a conta e a familia
regressou à casa renovada.
Maria da Luz apenas tinha ido por uma vez ver o decurso das...