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segunda-feira, 31 de março de 2008

Quem quer?

E se eu chegasse desgrenhada, sapatos na mão, roupa descomposta gritando que hoje sería o dia?
Íam achar que eu estava doida.
E se desatasse a cantar a plenos pulmões sem cuidados na desafinação acompanhando pinotes e rodopios, pulos e ondulações de anca numa correría furiosa à vossa volta?
Íam achar que eu tinha enlouquecido.
E se tirasse a roupa e pedisse para me olharem?
Íam ter pena de mim.
E se contasse do que sei?
Íam ter medo de mim.
Atei o cabelo, calcei-me e até ajeitei a roupa ao corpo. Talvez me abane um pouco para lá e para cá dando roda à saia e sentido bem comportado aos olhos e à boca sorridente.
Calada.
Não precisam de fugir.
Mas confessem: Nunca vos apeteceu?