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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tríptico


O tempo anda baralhado, chove pela madrugada para logo lavar a cara das nuvens e aparecer o rei todo ufano de bochechas inchadas a bufar uma brisa suave e cálida que me transtorna os sentidos e me faz perder o tino pela promessa de Primavera esbatida em flores e zumbidos de abelhas que apenas querem do doce pão para a boca de sua majestade. Vejo florir árvores como neve rosada pousando rendilhada sobre galhos ainda secos e adormecidos, acelera-me a vontade de braços descobertos e colo nu, da noite para o dia, quanto tempo me adormeci neste Inverno que não dei conta da chamada e fiquei presa a lãs e lareiras, tintos de memórias de outros frios.
Reparto-me nas fatias de coração, alma e corpo.
Faminto-me aquada na vontade de me fazer chuva, expôr-me exibicionista nas lágrimas da saudade e no entanto, o coração carmim alegra-se no fio de sol até ao êxtase, ri, agita o corpo, balança-o galhofeiro e dança, dança todo o corpo no frenesim da liberdade, feitiços de mim mesma, saciedade de boca e de mãos e destas nas minhas e ainda o grito chamando o tempo certo nas estações certas.
Eu quero lá saber se chove no Verão ou neva agora, se o frio desapareceu de dentro de mim e o sol arde na minha pele como quando se ama e ao toque me entonteço louca porque de três partes que sou feita, de todas elas sou feliz.