A imperfeição dos olhos começa quando vemos os outros pelas palavras alheias. A insubordinação do sentir cola-se maldosa ao que o outro nos diz. Não quer estar sózinho neste desgostar, precisa de aliados, pinta folhas de serviço enjoado pelas nódoas que lhe vai colocando, uma a uma, medalhas de um sentimento próximo do ódio.
O olhar vê o que lhe mostram, influência soberana nos humanos.
Há gente que me detesta apenas porque lhes disseram para me detestar, querem ver-me assim. Compulsivamente, como uma moeda de um só dono.
Eu tresmalho-me sempre. Alguém disse que não me incomoda o vosso desquerer?
Eu sou sózinha. Por mim. Amo e odeio por mim. Não porque me exibem palavras que me façam ver os outros sob as cores do [seu] pequeno mundo.
(Lx, 19-01-2010)