Não sou de ameaças, perdería a tez da intenção e a voz fugir-me-ía para a gargalhada. Escárnio, claro, até mesmo verrugosa e essa coisa dos avisos deixo para os sensatos do mundo que eu tantas vezes caminho a quatro como as bestas. Sou eu, eu disse que a árvore não estava seca e com a Primavera a estalar livrei-me de galhos indecorosos, guardei o cheiro do verde e eis-me.
Vigor de palavras, muitas, tantas quantas as raízes que capilarmente sugam mundos interiores e renovam a cada folha o que os homens acham por bem denominar estações, trago folhas, lembro estações, em breve flores, mesmo as carnívoras da alma na condição pequena de me atafulhar de sentires quando os devería (sentimentalmente) dizer palavras, só palavras bonitas.
Mas como não sou de ameaças deu-me para trepar à árvore sem anúncio de data festiva, hoje, como ontem, fascinada pela queda e pelo subir de novo.