Dizem-me que hoje é dia do meu aniversário mas eu não estou tão certa disso, os outros de mim nasceram em dias diferentes, luas em crescentes aversos e mesmo assim verdadeiros no absoluto de se agarrarem a este mesmo dia de parto como se único lhes pertencesse.
Depois, há aquela de mim que não das letras se tropeça em pés de dança, ouvida, repetida, transmitida em horas de riso e horas de choro, tantas dores, repercutem-se nos que ensinam outras manobras, novas por renovadas e soletram para dentro o meu nome recordando o pormenor que torna genuíno o não sei quê da diferença.
Também a que alquímica mistura sabores e pimentas, odores e transfusões de paladar, ouro nascido em aluminios, barros, amanteigados na memória dos ensinamentos de livros velhos, de autor, de pai.
Ainda e sempre a das obras, a da inconstância dos espaços e dos cantos, recantos que enxota na mudança de olhares que procuram mares, rios, arco-iris de cores mais-sete, telas, paredes ou nada, pinta-se tudo à vontade do vento, procura, sempre, sempre, ando sempre à procura.
Por isso o dia é de festejo a outros, não a mim escravo de sonhos.