Mês dez.
A dezena aumenta a vontade, quanto mais tempo passa mais se recorda. Sinto. Sinto que sempre te senti cá por dentro, um hibernar de mim mesma na escalada do frio e do vento na pequenez da luz que agora empalidece ao molhar as tardes.
Ainda escuto o aviso de mala às costas, os deveres, o dever de obedecer aos gritos que pulam cá por dentro, a correría desenfreada até à escola, 1, 2 , 3, recreios de mim, um dia ainda te acho, ainda sei que aquela que chama sou eu, prendo-te a mim e faço tudo outra vez, escorrego, esfarrapo-me e derrapo em linhas de palavras para conseguir dizer tempo, paralizar o tempo, trazer até mim Outubros como me dispo para entrar neles, e serei a de outros meses e de outros anos mas sem acrescento nem remendo, sangue novo, indomável e fervente para me animar na escalada até ao fim.
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(in Calendário 2008 C.G.-Out/2008)