Mês nove.
De repente. Assim, num estalar de dedos. Tão intempestivo.
Abriu os braços e atirou o que lhe antecedeu contra a parede, sem piedade e surdo aos rumores que ainda se sentem do mar.
Chegou e instalou-se. Fez-se imponente: O ano que inicia ao nono, que manda nas uvas, nos figos, nos frios matutinos e também nas tardes cansadas, na obrigação, no tempo, Ah! tempo! É tempo de mostrar, provar, prova-me Setembro que te temo nos dias que mirram e eu saudosa (de quê, de quê?) ensaio poemas no agasalho que puxo aos ombros, já é Setembro?!
...
Ficou sério num repente. Ou fiquei eu. Baixo-me pelos castanhos que me sobem à boca, folhas tesas e encarquilhadas de um Verão. Houve Verão este ano? Já não me lembro, parece que tenho de deitar as pernas à vida e correr, correr, correr...
(in Calendário 2008, C.G.)