
Mês dois.
Carrego aos ombros o peso da subida no ludibrio de achar que avanço. É um caminho de um só sentido, a novidade já foi, acabou-se aos primeiros dias quando achei que tudo sería diferente e por outro lado não fiz promessas, não me enganei na diferença, sabía-o de outros anos. Talvez me esqueça de quando em vez...
Mas agora que aqui cheguei repito-me nos passos da queda, da descida vertiginosa do tempo e da erosão: seguro-me, desfaço nas mãos um amparo que se esboroa mal o toco, degraus que rangem sob o peso da repetição, sei para onde vou não sei o que vou encontrar.
Melhor assim. Se o soubesse tentaría o recuo, ganharía impulso e saltaría ágil um ou outro mês, porém este é apenas o segundo, um patamar mal alumiado onde tacteio paredes rugosas e evito a todo o custo esfolar-me, o pé provando chão, tentando arranjar olhos quando cega piso.
Mês dois e tanto degrau para tropeçar.
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(in Calendários, C.G.-Fev/2008)